Have a Break,
Have a Kit-Kat

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Nestlé, 2025 - Motion Design

Ficha Técnica

FICHA TÉCNICA
Curadoria: Ana Avelar
Produção: Lili Andrade
Assistência de Produção: Luiza Fortes

Expografia: Letícia Ferraz
Design gráfico: Estúdio Fresco
Fotografia: Yuji Kodato
Montagem: Oficina Rubicão
Assistência Artística: Letícia Ferraz e Gia Tristão
Modelagem 3D: Gia Tristão
Instalações Sonoras: Caixa Alta (Natalie Pereira, Lucas Emerick);
Gabriel Aragão.
Serralheria: João Paulo Pimentel
Projeto Técnico e Desenvolvimento: Sandro Miccoli; Lucas
Emerick
Elétrica: Oficina Rubicão
Impressão a Laser: Ricardo Rigotto
Direção de Arte (Cavaleiros I e II): Agnes Antônia
Impressão 3d: Lucas Emerick
Trabalhos em Pedra Sabao: (José Francisco Gomes, Ronaldo
Cassiano Gomes, Clemente da Silva Neto)
Molduras: Vivart Molduras

Impressão Canvas: Artmosphere
Montagem da Exposição: Oficina Rubicão

Ao entrar no Museu da Inconfidência, sentimos o espaço de contenção. A arquitetura, os objetos históricos e a própria expografia convidam ao silêncio e à repressão de nossos corpos, como se a história pudesse ser apreendida apenas pela contemplação das formas preservadas.
 
Porém, esse aparente silêncio respeitoso não é exatamente uma ausência de som. Ele é uma construção cultural, produzida pelas instituições museais para conter a presença do corpo diante de determinadas narrativas e converter conflitos históricos em fragmentos de uma memória aparentemente em consenso.
 
Ruídos se Organizam, exposição de Ítalo Almeida que integra o Programa de Intervenções do Museu da Inconfidência, desloca esse regime de escuta.
 
Resultado de uma residência de quatro meses em Ouro Preto, a exposição nasce da percepção de que a cidade pode ser compreendida não apenas por suas igrejas, monumentos ou fachadas coloniais, mas por uma cosmologia sonora que atravessa sua história e continua reverberando no presente. Antes de investigar imagens, o artista dedicou-se a ouvir: os sons cotidianos dos bairros periféricos, as músicas religiosas, as narrativas orais, os ecos das fábricas de alumínio, os ritmos das congadas, os deslocamentos dos jovens cavaleiros – de hoje e de ontem – , os rumores que escapam aos roteiros turísticos.
 
Ao longo da história mineira, homens e mulheres afrodescendentes produziram parte decisiva dessa paisagem acústica. Foram músicos das irmandades religiosas, trombeteiros escravizados, artesãos, trabalhadores das minas e das fábricas, integrantes de congados, foliões.
 
Em muitos casos, seus corpos permanecem pouco representados nos acervos visuais ouropretanos. Seus sons, entretanto, estruturaram profundamente a experiência social do território. A exposição propõe ouvir justamente aquilo que permaneceu nas margens da narrativa monumental.
Em vez de ilustrar essa história, Almeida constrói dispositivos que a reativam.
 
O som deixa de funcionar como ambientação e torna-se matéria escultórica. Vibra, ocupa o espaço, atravessa superfícies, conecta objetos e reorganiza a circulação do visitante. Texto de Ana Avelar